Artigos

Nicholas Culpeper


(1616 - 1654).

Médico, astrólogo e muito idealista, Nicholas Culpeper ficou conhecido, ainda em sua época, como uma autoridade em medicamentos feitos com ervas. Aos 24 anos, montou sua própria clínica de astrologia e medicina. Mesmo vivendo em circunstâncias difíceis, com sete filhos para criar, dava atendimento gratuito aos pobres, o que o fez ganhar boa reputação como médico no leste de Londres. Filho de pastor protestante e neto de Sir Thomas Culpeper, um proprietário de terras, estudou em Cambridge, onde fez uma carreira brilhante. Posteriormente, porém, ele irritaria a comunidade científica com a publicação de livros polêmicos.

Setenta e nove títulos

Culpeper entendia que a informação médica deveria ser acessível a qualquer pessoa alfabetizada. Como os textos científicos da época eram escritos em latim, ele publicou, em 1649, o livro Um Direito Físico. Por tratar-se de uma tradução da Farmacopéia para o idioma inglês, seu autor caiu em desgraça entre os colegas de Cambridge, que não aceitavam que se tornassem públicos conhecimentos que eram privilégios da classe médica. Mas, apesar da condenação acadêmica, seus livros sobre astrologia e medicina fizeram sucesso. Ao todo, escreveu e traduziu 79 livros, incluindo a segunda e terceira edições de Um Direito Físico e traduções do grego e do latim da obra de Galeno e de outros escritores antigos. Os trabalhos de sua autoria traziam muitos dos remédios feitos com plantas que ele desenvolvia e utilizava na clínica. O livro pelo qual ele é muito reverenciado hoje, conhecido como As Ervas de Culpeper foi publicado em 1653 sob o título O Médico Inglês, com 369 remédios feitos de ervas inglesas que não tinham sido publicados até aquele momento. Seguindo a tradição de John Gerard, estudioso da geração anterior à sua, ele inspirou-se muito nos escritos de médicos antigos. Tal como Gerard, Culpeper acrescentou comentários, incluindo uma classificação astrológica das plantas de acordo com o planeta que as regia. Destacou os aspectos botânicos e medicinais descritos pelos escritores clássicos e certos mitos citados por eles nos velhos textos, colocando também opiniões de outros autores. Ele descreveu com clareza as plantas e os locais onde poderiam ser encontradas, pois pretendia que o livro fosse usado como uma fonte prática por pessoas comuns.

Plantas e óleos

Culpeper diferenciava o uso “simples” de plantas, que incentivava os leigos a usar, do emprego de óleos essências que eram conhecidos como “óleos químicos” e prescritos por farmacêuticos. “Aquelas pessoas que não souberem extrair o óleo químico podem se contentar comendo dez ou doze frutos maduros toda manhã em jejum”, sentenciava. Ele deu instruções precisas sobre preparação de vários tipos de remédios obtidos do material básico das plantas, incluindo infusões, cataplasmas, vinhos aromáticos e infusões de óleos que ele sempre sugeria que deveriam ser usadas para “ungir”, ou seja, para massagear. Entre as 369 plantas que listou, encontram-se muitas que são usadas na moderna de fitoterapia e na aromaterapia, incluindo basilicão, camomila, sálvia, erva-doce, alho, hissopo, zimbro, várias mentas, alfazema, manjerona, alecrim, três tipos diferentes de rosa, tomilho e várias outras. Culpeper era parlamentarista – ao contrário de seus pares do Colégio de Médicos que eram monarquistas. Lutou e foi ferido gravemente no peito durante a guerra civil. Com o funcionamento de seus pulmões afetado permanentemente pelo ferimento, morreu de tuberculose em 1654, aos 38 anos.

Bibliografia: Culpeper's Colour Herbal.
Editado por: David Potterton W. Foulsham & Com. Ltd., Bershire, (Inglaterra) 1983